Construção civil se reúne para debater as esquadrias

O desempenho das esquadrias foi o tema abordado em seminário organizado pelo Fórum de Desenvolvimento Urbano e Construção Sustentável, órgão que reúne instituições públicas e privadas, visando o desenvolvimento ambientalmente sustentável do país. O evento aconteceu no auditório da Uninove – Universidade Nove de Julho -, em São Paulo, no dia 24 de novembro último, e contou com a presença de representantes da AFEAL, membros da Secretaria Nacional de Habitação do Ministério das Cidades, do SindusCon-SP, do CBCS – Conselho Brasileiro da Construção Sustentável -, do Secovi-SP, da UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina – e profissionais de diferentes associações setoriais.

O seminário foi oficialmente aberto pelo professor Eduardo Storopoli, reitor da Uninove, que agradeceu a participação de todos e convidou o deputado federal Paulo Teixeira para dizer algumas palavras. “Temos que diminuir o consumo de energia no país e uma forma de conseguirmos é melhorando a qualidade das construções, tornando-as mais sustentáveis”, avaliou Teixeira. Na abertura do evento, também tiveram a palavra Inês Magalhães, secretaria Nacional de Habitação do Ministério das Cidades, e Ronaldo Cury, vice-presidente de Habitação Popular do SindusCon-SP.

O primeiro painel do encontro foi conduzido por Inês Magalhães e teve como tema o aprimoramento do programa Minha Casa, Minha Vida para fomento à sustentabilidade. “O principal objetivo de oferecer habitação social é garantir o direito à moradia. A produção habitacional também é instrumento de promoção da sustentabilidade urbana e da redução das desigualdades”, afirmou Inês, avaliando o momento atual como importante, já que está sendo preparada a terceira fase do programa MCMV.

O professor Roberto Lamberts, da UFSC, foi o responsável pelo segundo painel, que abordou a relação entre esquadrias e o conforto nas habitações. Segundo o docente, a veneziana é um elemento que melhora muito o desempenho da edificação e, por isso, é alternativa interessante para ser utilizada em habitações populares. “O desafio atual é construirmos casas que através do aproveitamento das condições naturais, funcionem melhor”, afirmou Lamberts.

A indústria brasileira de esquadrias

O mercado nacional de esquadrias, tema central do terceiro painel, detalhou a produção atual e opções de produtos de melhor desempenho. A primeira palestra foi conduzida pela engenheira Fabiola Rago, diretora da EGT/IBELQ, entidade gestora técnica do PSQ – Programa Setorial da Qualidade das Esquadrias de Alumínio. Na apresentação, a profissional questionou a plateia sobre qual o custo para se produzir uma esquadria de qualidade. E respondeu com um case real: “Uma esquadria fabricada a partir de bom projeto acabou sendo reprovada no ensaio de estanqueidade à água. O produto foi desmontado para verificar qual era o problema. Constatou-se que a escova usada era de 8mm, quando no projeto o que estava especificado era de 10mm. Após a troca do componente, a esquadria passou no ensaio e foi classificada no nível intermediário, isso sem ser necessário gastar um centavo a mais”, exemplificou Fabiola.

Segundo a engenheira, esquadrias de baixa qualidade são comercializadas no mercado e o PSQ está rastreando esses produtos para encaminhá-los ao Ministério Público. “É papel do programa indicar quais são os produtos bons e também localizar aqueles que deixam a desejar. É importante observar se as esquadrias têm qualidade estrutural”, disse, indagando: “Como o setor vai chegar ao adequado desempenho acústico e térmico, se ainda existem produtos que não proporcionam segurança estrutural?”. Fabiola Rago encerrou sua palestra com a apresentação da etiqueta acústica das esquadrias, que será obrigatoriamente colada nos produtos, assim que a parte 4 da ABNT NBR 10821 entrar em vigor.

O terceiro painel contou também com apresentação do professor Fernando Simon Westphal, da UFSC. “Está em desenvolvimento uma linha de pesquisa que prevê incorporar na etiquetagem do Procel o efeito que o conjunto da esquadria, incluindo perfil e vidro, tem na edificação”, indicou o docente, ressaltando que o selo Procel pode promover o uso de produtos de melhor qualidade. “Um dos desafios atuais é capacitar arquitetos e engenheiros quanto à evolução tecnológica recente das esquadrias nacionais”, falou Westphal.

Mesa redonda

Para finalizar o seminário, foi realizada mesa redonda com alguns dos participantes do evento. Participaram membros da secretaria Nacional de Habitação do Ministério das Cidades; da CAIXA; do BNDES – Banco Nacional do Desenvolvimento; da Afeaço – entidade setorial das esquadrias de aço; da Afap – representante do setor de esquadrias de PVC; da Abravidro – associação dos distribuidores e processadores de vidros planos; e da Abividro – Associação Técnica Brasileira das Indústrias Automáticas de Vidro. A AFEAL também participou deste painel e foi representada por Edson Fernandes, gerente Nacional do PSQ, que apresentou o trabalho desenvolvido nacionalmente pela AFEAL, destacando a atuação do PSQ em prol da qualidade das esquadrias de alumínio.

Publicado em: Novembro 2014

Fonte: http://afeal.com.br/rev/imprensa/noticias/construcao-civil-se-reune-para-debater-as-esquadrias